23-09-2011 11:30
Tio Benzinho
O ano de 1978 nos marcou profundamente. Naquele ano, falecera a minha avó Conceição, no dia vinte e um de maio, deixando para todos os filhos e netos uma saudade imorredoura.
Levi Piancó
Em 1978, meu tio Levi, que era o terceiro filho de Dona Conceição, tinha a idade de 54 anos. Jamais poderíamos pensar que naquele dia 30 de julho de 1978, dois meses após o falecimento da nossa avó, o "Trem da Vida" nos sacudisse com uma freada tão brusca, fazendo mais uma parada na estação, propiciando a descida de mais um dos nossos companheiros de viagem. Ele era um passageiro muito especial. Um tio doce e meigo, carinhoso e dedicado a toda família.
Naquela ocasião, estávamos em Itapetim, eu e Carlos, visitávamos a família, acompanhados do nosso primeiro filho (Leo) que acabara de completar 3 anos de idade.
Eu estava grávida de 4 meses do meu segundo filho. recebemos a notícia de que meu tio, em São José do Egito, cidade onde o meu tio Levi morava com sua família, estava internado na Clínica Dr. José Ramos, e havia recebido o diagnóstico de miocardiosclerose.
Fomos visitá-lo, juntamente com meus pais e meus irmãos. Imploramos para trazê-lo para Recife, mas a família achou que ele estava sendo bem atendido e que não haveria necessidade de transportá-lo para a capital.
De volta à Recife, durante todo trajeto não tive sossego, fiquei apreensiva e frustrada por não trazê-lo conosco, para melhor avaliação do seu estado de saúde, uma vez que na capital teríamos mais recursos para isto. No dia seguinte à nossa chegada em casa, recebemos a notícia de que ele havia falecido de um infarto do miocárdio. Foi um dia muito triste, um choque muito grande, apesar de ter saído de São José do Egito com poucas esperanças de que pudessem reverter o seu estado de saúde.
Tínhamos acabado de chegar de viagem, sequer haváimos desfeito as malas, imediatamente retornamos para assistir ao enterro. Foi um choque muito grande, já vínhamos sofridos pela perda da nossa avó, e agora o nosso tio tão querido nos deixava também. Deixou 08 filhos: Maria Gorete, Claudionor, Maria Margarete (minha afilhada), João Firmino, Claudevan, Laudionor e Judas Tadeu.
Mas o Trem da vida, naquele fatídico ano de 1978, não se dando por satisfeito, fez mais uma parada naquele mesmo mês. Depois do enterro, retornamos para Recife e, acabo de poucos dias, perdi o bebê que estava esperando, aquele que seria o meu segundo filho, se não tivesse abortado.
Levi Piancó e Maria Correia Piancó (Nenen)
(Foto tirada no dia do seu casamento)
Tio Benzinho e Nenen (esposa de Tio Levi)
Foi no ano de 1978 que senti pela primeira vez, que o "Trem da Vida" pode interromper o passeio e desembarcar, para sempre, algum dos nossos companheiros de viagem, ao qual no apegamos tanto que julgamos ser impossível prosseguir sem ele.
Embora sitamos muita dor e tristeza, há com o tempo, o tempo que é o remédio para todos os males, ao invés dessa tristeza, uma doce e saudosa recordação daqueles que partiram antes de nós. Tio Levi teve a graça de, ao descer na "Estação Central", encontrar sua mãe de braços estendidos para recebê-lo.
Deus os ilumine para sempre na eternidade, e não os deixe esquecer que, ainda hoje, são lembrados e amados por todos nós, através da nossa imensa saudade.