20-02-2011 11:55
(ATENÇÃO! Ao clicar neste link, você vai poder ler na íntegra os versos escritos em 1933 pelo meu avô, João Inácio de Lima. Trata-se do flheto original (guardado pelo meu Tio Benzinho Piancó) impresso pela Tipografia do Jornal "O Rebate" em Campina Grande-PB.
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Meu avô João Inácio de Lima, na década de 1930 transportava no caminhão que pertencia ao seu pai, Serafim Piancó, cargas de algodão para a cidade de Campina Grande. Graças ao site "Retalhos Históricos de Campina Grande" https://cgretalhos.blogspot.com/ , eu pude ver em que cenário trabalhavam os meus antepassados.
Em uma das idas e vindas à Cidade de Campina Grande meu avô mandou imprimir, pela Tipografia do Jornal "O Rebate" (de Pedro Aragão e Luiz Gil), os versos que havia feito sob os seguintes temas:
"A crise e a corrução", "O mundo tinha valor" e "O mundo vai de regresso".
Algodão pronto para a colheita - Pinçada de Wikipédia
Em relação a comercialização do algodão e de outros tipos de matéria prima fornecidos ao mercado de Campina Grande, da qual fêz parte meu bisavô, Serafim Piancó - proprietário da Fazenda Maniçobas, Vila de Umbaranas, hoje Cidade de Itapetim - PE - eu encontrei um material riquíssimo sobre os tempos do "ouro branco", como se costumava chamar com o algodão.
O tempo do meu bisavô e do meu avô foi exatamente este que encontrei, detalhadamente registrado e ilustrado com fotografias da época, no site dedicado à história de Campina Grande. O que ví por lá me deixou um tanto quanto frustrada em perceber o quanto é pobre o acervo da história do passado da nossa terra natal, Itapetim.
É lá, no "Retalhos da História de Campina Grande" que vamos encontrar:
"... A conquista promovida pelo prefeito Cristiano Lauritzen, em 1907, com a implantação do terminal férreo, trouxe o progresso definitivamente para Campina Grande. Foi o auge da economia local, com base na cultura algodoeira. Até a década de 1940, Campina era o segundo maior exportador de algodão do mundo, perdendo o topo para Liverpool, na Inglaterra. Durante o "boom" do cotonicultura, nossa cidade cresceu em número de habitantes, em residências e casas comerciais, espalhadas ao longo, principalmente, das Rua Grande (Maciel Pinheiro) e Rua do Ouvidor (Rua Joao Pessoa).
A decadência da produção do algodão em nossa região começou com a crise do café, em São Paulo, na década de 30. O estado paulita passou a produzir o algodão como alternativa e, em 1933 São Paulo já produzia 105 milhões de quilos, em comparação aos 23 milhões de Campina Grande, em 1931.
A ausência de um porto para grandes navios na Paraíba, o barateio do preço do algodão produzido em São Paulo e a chegada de empresas estrangeiras foram consideradas comos os três principais fatores para a decadência da cultura algodoeira de Campina Grande.
Até a década de 60 Campina Grande era a principal cidade do Estado da Paraíba. João Pessoa figurava, praticamente, como capital administrativa. Nesse período Campina despontava como importante pólo comercial e industrial também da Região Nordeste, arrecadava muito mais que a capital..."
Eu pedi licença ao site em apreço, se bem que não esperei a resposta para postar o material ilustrativo que encontrei por lá, de toda sorte há um aviso que diz: " Se copiar, cite a fonte. É o que estou fazendo agora, inclusive, peço a quem estiver lendo esta postagem que não deixe de acessar este endereço, afinal, somos fronteiriços da Paraíba, sendo as cidades de Patos e Campina Grande co-participantes de toda nossa história de vida, desde os tempos mais remotos até a data de hoje.
Após o “boom” do algodão em nossa cidade, a firma foi extinta e incorporada pela beneficiadora de algodão "Coopersisal".
Época de Prosperidade na Araújo Rique & Cia
(Acervo de Edival Toscano Varandas - Revista O Cruzeiro - Dezembro 1938)
Esta foto foi tirada três anos após a morte do meu avô, João Inácio de Lima. Quantos vezes esteve aqui nestes mesmos escritórios, para receber o dinheiro relativo ao pagamento do algodão que trazia da Fazenda Maniçobas, onde existia uma bulandeira de propriedade do seu pai, Serafim Piancó (meu bisavô).
Nesta imagem ampla, podemos visualizar ao fundo a Araújo Rique & Cia (Fonte: MHCG)
"O algodão no início do século XX foi para Campina Grande a principal atividade responsável pelo crescimento da cidade, atraindo comerciantes de todas as regiões da Paraíba e de todo o Nordeste. Até a década de 1940, Campina Grande era a segunda maior exportadora de algodão do mundo, atrás somente de Liverpool, na Inglaterra. Por isto, Campina Grande já foi chamada de a "Liverpool brasileira". Devido ao algodão, nesses anos Campina viu crescer sua população de vinte mil habitantes, em 1907, para cento e trinta mil habitantes, em 1939, o que representa um crescimento de 650% em 32 anos. João Pessoa só chegou a possuir uma população equivalente na década de 1950 (conforme gráfico da demografia de João Pessoa).
É importante ressaltar que a cidade nunca produziu algodão, seu sucesso na atividade se deve ao fato de que Campina era a única cidade do interior do Brasil a possuir uma máquina de beneficiamento de algodão, a matéria prima necessária para a produção vinha de cidades produtoras vizinhas.
O beneficiamento do algodão teve um impulso importante com a chegada das linhas ferroviárias para a cidade. Com o uso do trem, houve uma grande mudança na economia local: Campina pôde mais facilmente exportar sua produção de algodão beneficiado (o "Ouro Branco"), assim como outros produtos para os portos mais próximos, principalmente o de Recife.
Até 1931, a Paraíba foi o maior produtor de algodão do Brasil, com produção de 23 milhões de quilos de algodão em caroço. Com a crise do café em São Paulo, este passou a produzir algodão como alternativa. Em 1933, São Paulo já produzia 105 milhões de quilos em comparações com seus 3,9 milhões em 1929. Vários fatores foram responsáveis para o decadência de Campina Grande no ramo do algodão, os principais foram: 1) inexistência de um porto na Paraíba para grandes navios, fazendo com que Campina Grande tivesse que usar o porto de Recife, mais distante, para o transporte do algodão); 2) preço em comparação ao produto de São Paulo; 3) Ingresso de outras empresas estrangeiras no mercado do algodão." Fonte: Wikipédia

Estação Ferroviária Great Western, inaugurada em 1907. Hoje o prédio sedia o Museu de História e Tecnologia do Algodão
Se eu conseguisse ler a placa deste caminhão eu poderia afirmar que era o do meu avô. Mas fica o cenário representativo das inúmeras vezes em que entregou algodão em Campina Grande na década de 1930, cuja placa ainda guardamos com muito amor.
Foi do meu tio, Neguinho Piancó, que ouvi a última narrativa do falecimento do meu avô. No dia 02 de novembro de 1935, coincidentemente em um dia de finados, meu avô fêz sua última viagem para entregar algodão em Campina Grande, juntamente com Raimundo Piancó (seu irmão) foram vítimas de um acidente que causou a sua morte, deixando meu tio gravemente ferido.
Assista novamente a conversa que tive com meu tio, o qual, após esse encontro comigo, faleceu poucos dias depois, no dia 20 de novembro de 2010.
Parte I
Parte II
Meus agradecimentos aos administradores do Site "Retalhos da História de Campina Grande", pelo uso das imagens e citações dele pinçadas. Se você tem interesse em ler toda a história do "ouro branco" na Cidade de Campina Grande, ao entrar no site, basta digitar "algodão", no campo pesquisa. Você terá a sua disposição 8 páginas dedicadas a esta matéria.